O que significa um possível adiamento das eleições?

Muito tem se falado no adiamento ou mesmo no cancelamento das eleições municipais marcadas, originalmente, para o dia 5 de outubro deste ano. As teses surgem, naturalmente, por conta da pandemia do coronavírus, de fato um dos mais duros capítulos da história contemporânea em todo o mundo. A prática política, porém, não pode ser simplesmente interrompida. Cautela não significa estagnação, tampouco retrocesso. Ninguém precisa nem
deve interromper nada.
O momento exige responsabilidade, de fato, e é prudente que se estabeleçam planos de contingência em todos as áreas. Tais salvaguardas são prerrogativas dos Estados, sim, mas também das entidades da sociedade civil organizada, das instituições privadas e, claro, de cada cidadão. Entretanto, tomando como analogia o hipotético caso de um paciente grave, não podemos, no campo social, dar margem ao surgimento de doenças oportunistas e comorbidades, entre elas a possibilidade de regredirmos a um estágio de participação política já superado.
Cogitar o adiamento do pleito eleitoral não significa que todos devem aderir automaticamente a esta ideia, como se fosse um simples comando. O sufrágio livre e garantido a todos é uma característica relativamente recente no Brasil; é necessário que se zele pela sua manutenção. Sem falso alarde, lembremos que em democracias ainda jovens, como a nossa, alterar o cronograma da disputa eleitoral é sempre um grande risco.
Independentemente de como se manifeste a Justiça Eleitoral, neste momento os partidos políticos devem manter suas rotinas de trabalho, mesmo que adaptadas às plataformas que usam a internet como meio. E do mesmo modo estimular as lideranças com potencial eleitoral, traçar metas e estratégias, qualificar seus quadros e preparar suas nominatas às câmaras municipais e prefeituras. Na data original ou mesmo sob alguma alteração, o dia de votar chegará e todos devem estar preparados para esta grande celebração da democracia.

Por Adriana Boniatti / Advogada